GARANTIR A SOBREVIVÊNCIA DAS CRIANÇAS É MAIS QUE

HAVER SERVIÇOS DE SAÚDE

Nas últimas décadas, o Brasil se destacou por reduzir significativamente a mortalidade infantil (de até 1 ano) e na infância (de até 5 anos). Entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade infantil caiu de 47,1 para 13,3 mortes para cada 1.000 nascidos vivos, de acordo com o Ministério da Saúde. Os avanços fizeram com que o País superasse a meta de redução da mortalidade infantil prevista nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) antes mesmo do prazo estabelecido.

Entre os fatores responsáveis pelos bons resultados brasileiros até então, estão a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o modelo de atenção básica centrado na Estratégia de Saúde da Família, o aumento do acesso ao pré-natal, o aumento da escolaridade das mães, a melhoria no acesso a água potável e a alta cobertura vacinal. Até 2015, o Brasil mantinha a vacinação das crianças acima dos 90%, garantindo a proteção delas contra doenças imunopreveníveis, como poliomielite e sarampo.

Contudo, nos últimos três anos, em meio à atual crise econômica, o País entrou em um estado de alerta. Em 2016, pela primeira vez em 26 anos, as taxas de mortalidade infantil e na infância cresceram. E, desde 2015, as coberturas vacinais – que vinham se mantendo em patamares de excelência – entraram em uma tendência de queda.

O aumento da mortalidade preocupa. Em 2016, cresceram no País as mortes por causas evitáveis, como as doenças diarreicas. Aumentou, também, a mortalidade de crianças menores de 5 anos, fato diretamente ligado à piora nos determinantes socioeconômicos. E a mortalidade nos primeiros 27 dias de vida (neonatal) continua sendo um grande desafio.

Soma-se a isso um desestímulo de parte da gestão pública, de alguns profissionais de saúde e da sociedade com a imunização das crianças. A queda na cobertura de vacinas como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a vacina contra a poliomielite abre espaço para a volta de doenças até então erradicadas no País.

Recolocar o País no patamar de excelência da última década é urgente. MAIS QUE haver serviços de saúde disponíveis, é preciso focar na qualidade da atenção básica, na qualidade de pré-natal, parto e nascimento e repensar as campanhas de imunização, com busca ativa de crianças não vacinadas, sensibilização de profissionais de saúde e apoio e informação às famílias. Há que se reverter a queda nos gastos públicos em saúde e investir mais em políticas estruturantes, como saneamento básico, voltadas a crianças e famílias vulneráveis.

De 2015 a 2017, a cobertura vacinal caiu de 95% para 78,5% — poliomielite e de 96% para 85% — tríplice viral

Programa Nacional de Imunizações


É PRECISO

INVESTIMENTO

Ampliar os investimentos na promoção da saúde, na atenção básica (SUS) e no saneamento básico. Garantir também investimentos em coleta de lixo e tratamento do esgoto.

POLÍTICAS

Ampliar a estratégia de saúde da família em municípios e territórios vulneráveis.

Fortalecer as políticas de capacitação continuada na atenção básica do SUS.

Focar na qualidade da atenção básica, em especial pré-natal, parto e nascimento, tratamento de doenças infecciosas e parasitárias e prevenção das imunopreveníveis.

Monitorar sistematicamente a cobertura vacinal e criar estratégias para áreas de menor cobertura.

AÇÕES

Sensibilizar e mobilizar gestores e profissionais de saúde para reduzir os óbitos de crianças por causas evitáveis.

Sensibilizar e mobilizar os gestores municipais e profissionais de saúde para a necessidade, urgente, de melhorar a cobertura vacinal de rotina realizando busca ativa e aproveitando as campanhas.

Resgatar a percepção dos profissionais de saúde, da sociedade e das famílias, sobre a importância da vacinação.