PROMOVER BOA NUTRIÇÃO É MAIS QUE

ACESSO AOS ALIMENTOS

O Brasil está diante de um quadro preocupante de má nutrição. De um lado, o País reduziu consideravelmente a desnutrição infantil, mas ela ainda afeta populações indígenas, sendo uma das causas dos altos índices de mortalidade infantil indígena.

De outro, o aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, sal e açúcar, com baixos teores de vitaminas, tem levado a um quadro de sobrepeso e obesidade que compromete a saúde.

Até a década de 90, a desnutrição infantil estava presente em grande parte dos grupos populacionais mais pobres do Brasil, aumentando a incidência de doenças infecciosas e desempenhando um papel importante na sequência de eventos que levavam ao óbito.

De lá para cá, houve uma redução considerável nos índices de desnutrição infantil no País. Entre 1996 e 2006, a desnutrição crônica (medida pela baixa estatura da criança para a idade) caiu 50% no Brasil, passando de 13,4% para 6,7% das crianças menores de 5 anos. Já a desnutrição aguda (baixo peso em relação à altura) passou a ser registrada em apenas 1,5% delas . E esse cenário vem se mantendo em queda no País.

Os bons resultados, no entanto, não alcançam toda a população. No Brasil, cerca de 30% das crianças indígenas são afetadas por desnutrição crônica. Entre os yanomamis, o percentual supera 80%. Meninas e meninos indígenas têm mais de 2 vezes mais risco de morrer antes de completar 1 ano do que as outras crianças brasileiras.

Além de reverter os casos de desnutrição infantil indígena, é preciso olhar para outro fenômeno que, paradoxalmente, atinge o Brasil: a obesidade de crianças e adolescentes. O País enfrenta uma grande mudança de padrão de consumo de alimentos, comprometendo a situação nutricional da infância e adolescência e promovendo o aumento das doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes.

O sobrepeso e a obesidade são frequentemente identificados em crianças de 5 anos em todos os grupos de renda, bem como em todas as regiões brasileiras. Alimentos industrializados, ricos em açúcar, sódio, gordura e pobres em nutrientes, tornaram-se parte da rotina alimentar. Ao mesmo tempo, há uma diminuição na prática de atividade física.

MAIS QUE garantir o acesso a alimentos, é preciso políticas específicas para reverter a desnutrição indígena e incentivar a alimentação e os hábitos saudáveis, com destaque para as mudanças na regulamentação do setor de alimentos, bebidas e publicidade dirigida às crianças.

30% das crianças indígenas são afetadas por desnutrição crônica

(Siasi/Sesai/MS, 2016)


10% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos estão acima do peso para a idade

(Sisvan, 2017)


É PRECISO

INVESTIMENTO

Aumentar os impostos sobre as bebidas açucaradas (exemplo: refrigerantes e sucos industrializados) e produtos muito calóricos.

POLÍTICAS

Criar políticas públicas específicas e adequadas para garantir a boa nutrição de crianças indígenas.

Regulamentar as propagandas voltadas ao público infantil de forma a coibir as ações de marketing relacionadas ao consumo de alimentos ultraprocessados.

Regulamentar a rotulagem frontal de alimentos, tornando fácil e rápida a identificação de produtos muito calóricos e com poucos nutrientes.

AÇÕES

Melhorar a alimentação e os ambientes de atividades físicas nas escolas, incluindo normas sobre a venda de alimentos e bebidas.

ampliar os espaços urbanos recreativos e seguros para que toda a população tenha acesso a uma vida mais saudável.

Apoiar campanhas de incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e alimentação saudável para a família.